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Academia - Autores
Agustina Bessa-Luis

Autoria            -              Orientação        -             Grau - Local    -   Data

FILIZOLA, Anamaria      Haquira Osakabe                 Dr.    UNICAMP   2000

Título: O cisco e a ostra : Augustina Bessa-Luis biografa

Sinopse: Este trabalho analisa as cinco biografias escritas pela romancista portuguesa Agustina Bessa-Luís, a saber: Santo António (1973), Florbela Espanca - a vida e a obra (1979), Sebastião José (1981), Longos dias têm cem anos - presença de Vieira da Silva (1982) e Martha Telles - o castelo que irás e não voltarás (1986). O interesse pelo traço biográfico, manifestado em O susto (1958), romance à clefcujos personagens são inspirados nos poetas Teixeira de Pascoaes e Femando Pessoa, vai se tomar mais evidente após a publicação de Santo António. Tal livro marca uma nova fase na obra da Autora, em que predomina a pesquisa histórica para dar conta de um passado mais longínquo, não alcançado pela memória, seja em romances à elef ou não, e em ensaios. A presença do traço biográfico nessa produção, além das próprias biografias, justifica a pesquisa que busca identificar quais as marcas caracterizadoras desse discurso não ficcional. O trabalho se organiza em três partes. A primeira consiste dum estudo abrangente da obra da Autora, incluindo os ensaios, seguido de um levantamento do estado da arte do discurso biográfico, com o objetivo de estabelecer um protocolo de leitura das biografias. A segunda parte aborda os já citados cinco textos na ordem cronológica em que foram publicados, analisando-se o processo criador das biografias, as quais se apresentam com formatos e enfoques diferentes, mas com marcas comuns, entre as quais destacam-se: a) insatisfação com a produção existente a respeito do sujeito biografado, evidenciando-se aí uma falta que deverá ser suprida pela escritura da biografia em causa; b) desobediência a uma ordem cronológica linear da narrativa, em que o mesmo fato é evocado em diferentes momentos da vida narrada e da narração, resultando numa abertura do texto a diferentes interpretações de ações ou fatos acontecidos na vida do sujeito biografado; c) predileção por documentos escritos pelo biografado como cartas, bilhetes, poemas, sermões, discursos, que se apresentam como meios autênticos de expressão do ser. Mais importante, porém, é que a citação desse discurso do Outro dá ensejo à criação do texto agustiniano, de tal modo que aquela produção se toma parte indissolúvel do discurso da Autora. O resultado dado a ler revela o interesse provocado pelo sujeito biográfico, cuja vida se apresenta como um enigma a ser decifrado, ou como adivinha a ser demonstrada pela biógrafa que desempenha um papel de detetive, à procura de pistas que levem a completar o quebra-cabeça a ser resolvido. O desenho formado pelas peças reunidas, no entanto, é mutável, não prevalecendo nenhuma conclusão fechada, de modo que o sujeito biográfico não se apresenta ao leitor como mitificado com complacência ou radicalismo: é a sua condição humana complexa que é dada a conhecer. Assim, não ficam de fora as fraquezas, os vícios, os defeitos, ao lado das realizações que tomaram a pessoa um sujeito biográfico. Nesse sentido, determinados acontecimentos, ou sua falta, são identificados pela Autora como a "prova da existência" desses indivíduos, ou, como o momento em que sua força plástica é reconhecida publicamente. A terceira parte é a conclusão. Reitera-se o processo criativo da escrita das biografias, diferente da criação ficcional, e conclui-se que, se a obra ficcional de Agustina Bessa-Luís é reconhecida pela crítica como ficcionista, o mesmo não acontece com seus trabalhos de cunho ensaístico em geral e biográfico em particular. No entanto, não deixa de haver uma recognição de seu trabalho de biógrafa, pois das cinco biografias, apenas a de Santo António é fruto de sua vontade, as demais lhe são todas encomendadas

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