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ENTREVISTA SIMULTÂNEA
Fernando Pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa

Nasceu em 13/06/1888, em Lisboa, Portugal. Escritor e um dos maiores poetas da língua portuguesa. Passou a maior parte de sua juventude na África do Sul, em Durban, para onde viaja em 1893 junto com sua mãe e o padastro. Desde cedo demonstra possuir habilidades para a literatura e recebe uma educação britânica, motivo pelo qual seus primeiros textos foram escritos na língua inglesa. Com exceção de Mensagem, os únicos livros publicados em vida são os da coletânea dos seus poemas ingleses: Antinous e 35 sonets e English poems I, II e III, escritos entre 1918 e 1921. Ingressa na Durban High School em 1904 e freqüenta o equivalente ao primeiro ano universitário. Por esta época escreve poesia e prosa e publica no jornal do liceu um ensaio intitulado Macaulay. Os heterônimos surgem, também, nesta época: Charles Robert Anon e H.M.F.Lecher. Em 1905 volta sozinho para Lisboa, passa a viver com a avó e duas tias, e matricula-se no Curso Superior de Letras, da Universidade de Lisboa, que abandona antes de completar o primeiro ano. Entra em contato com importantes escritores portugueses e interessa-se por Cesário Verde e Padre Antônio Vieira. A partir de 1908, dedica-se à tradução de correspondência comercial, um trabalho free-lancer que lhe permite trabalhar alguns dias da semana e escrever. Sua iniciação como ensaísta e crítico literário se dá em 1912, com o artigo: A nova poesia portuguesa sociologicamente considerada, publicado na revista Águia. Neste ano surge o heterônimo Ricardo Reis. Além deste surgem outros: Alberto Caiero, Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Bernardo Soares. Através dos heterônimos, conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade. “Com uma tal falta de gente coexistível, como há hoje, que pode um homem de sensibilidade fazer senão inventar os seus amigos, ou quando menos, os seus companheiros de espírito?”, confidenciou. Em 1928 A Coca-Cola chega ao mercado português e o poeta fica encarregado de criar um slogan para o produto: "Primeiro estranha-se, depois entranha-se". A mercadoria vende como água. Mas proíbem a sua representação em Portugal. A Direção de Saúde entende que o slogan é o próprio reconhecimento da sua toxidade. Sua obra e sua vida foram permeados por ligações com as chamadas ciências ocultas, o que pode ser percebido em muitos de seus poemas. Em 1930 inicia uma troca de correspondência com o "mago" inglês Aleister Crowley. Passa a dedicar-se com afinco a astrologia, a fazer mapa astral seu e de amigos. Em 1934 Cecília Meireles foi a Portugal fazer umas conferências e manifestou o desejo de conhecê-lo. Através de um dos escritórios para o qual trabalhava o poeta, conseguiu comunicar-se com ele e marcar um encontro para o meio-dia. Ela esperou inutilmente até as duas da tarde. Cansada de esperar, voltou ao hotel e encontrou um exemplar do seu único livro   Mensagem (1934), e um recado do misterioso poeta, justificando que não comparecera porque consultara os astros e, segundo seu horóscopo, “os dois não eram para se encontrar”. Embora tenha escrito dezenas de artigos, ensaios e poemas, publicou apenas um livro, o qual participou de um concurso literário chamado "Antero de Quental" e ganhou o segundo prêmio. Em janeiro de 1935 pensa em mudar-se para as cercanias de Lisboa com a finalidade de compor seu primeiro grande livro. Em 29 de novembro é hospitalizado com uma cólica hepática e falece no dia seguinte.

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