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Jornalismo
Julio Daio Borges

"Volta e meia me perguntam quando vou escrever (e publicar) um livro. Jornalismo não é considerado escrever para muitas pessoas. E é difícil dar uma resposta convincente em cinco minutos. Embora eu talvez não seja, tenho, para com meus textos, uma atitude de escritor. Não publico nada que não considere 100%. Não ‘publico por publicar’, ainda que escreva quase sempre para publicar. Sou rigoroso e, mesmo fazendo jornalismo, tento levar minha escrita cada vez mais longe. São quase sempre os escritores que me impressionam, e quase nunca, agora, os jornalistas. Ambiciono uma certa perenidade ‘literária’, ou digamos assim – que a internet, mais que o jornal, até permite, mas o assunto, talvez, não. Estou sempre experimentando novas formas, e se o jornalismo é um gênero literário, como quer Garcia Márquez, vou de subgênero em subgênero, descobrindo, dominando e aperfeiçoando, para essa nova plataforma que é a ‘www’. Vou até onde me levam os limites do meu texto. Não procuro forçar a barra porque forçar, além disso, é ir se falsificando aos poucos. Quando achei que estava blefando, voltei para as notas curtas. Quando me senti apto de novo, retomei os textos longos. Realizei ou não realizei alguma coisa? Não importa... – estou sempre me reavaliando. Por que não pude parar a vida para escrever – ainda ( e talvez nunca possa) – aprendi a resolver meus textos num único take, Sento e, no mínimo, em algumas horas tenho algo pronto. Na internet, é quase sempre ‘pra ontem’. Do mesmo jeito, sinto que estou viciado no efeito imediato da publicação on-line. Será que saberei, um dia, escrever no vácuo? Se for escrever um livro, abrirei um blog para ir publicando antes cada capítulo. A solidão do escritor é triste e eu não penso que os escritores sejam pessoas felizes. Talvez ‘ser escritor’, realmente, não seja para mim. Amo o mundo, amo minha família, amo meus amigos. Não conseguiria abdicar de tudo. Ao preencher uma ficha, coloco ‘engenheiro’ com formação e, às vezes, ‘editor’ como ocupação. ‘Escritor’, nunca. É, em resumo, minha maior aproximação entre jornalismo e literatura".

Fonte: Depoimento em 27 de março de 2007.

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