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ENTREVISTA SIMUTÂNEA

Otto Maria Carpeaux

 

Otto Karpfren

Nasceu em Viena, Áustria, em 09/03/1900. Ensaísta, crítico literário e jornalista naturalizado brasileiro, doutourou-se em filosofia e estudou matemática (em Liepzig); sociologia (em Paris); literatura (em Nápoles) e política (em Berlim); além de dedicar-se à musica. Antes do nazismo, foi o homem de confiança de dois primeiros-ministros em Berlim, mas com a chegada de Hitler foi obrigado a tomar o caminho do exílio. Primeiro para Antuérpia, onde trabalha como jornalista na Gaset Van Antwerpen, o maior jornal belga de lingua holandesa. Com a expansão do nazismo, sente-se inseguro na Europa e embarca para o Brasil em 1939 e muda seu sobrenome germânico Karpfen para o francês Carpeaux. Chegou aqui de "mala e cuia", com a mulher, sem conhecer nada do idioma e sem conhecidos, mas com uma enorme bagagem cultural. Falava e escrevia em mais de 10 idiomas e após um ano trabalhando como imigrante em fazendas do Paraná, aprende o português e ruma para São Paulo. Vivendo com dificuldades, vai sobrevivendo com a venda de alguns pertences, incluindo seus livros de arte. Em 1941 escreve uma carta ao crítico literário Álvaro Lins sobre um artigo de Eça de Queiroz e recebe como resposta um convite para trabalhar no Correio da Manhã (RJ). Inicia aí sua promissora carreira de crítico e ensaísta dos mais conceituados na literatura brasileira. Em 1942 naturalizou-se brasileiro e publica seu primeiro livro de ensaios: Cinzas do purgatório, revelando uma inteligência e uma erudição incomum na intelectualidade local. Logo foi trabalhar num lugar privilegiado para um autodidata interessado em conhecer melhor a cultura que abraçou: a Biblioteca da Faculdade Nacional de Filosofia (1942-1944). Em seguida foi dirigir a Biblioteca da Fundação Getúlio Vargas (1944-1949), onde encontra tempo para publicar sua monumental História da Literatura Ocidental (1947), em oito volumes.. Com isso, torna-se um dos pesos pesados da intelectualidade brasileira, assumindo o cargo de redator-editor do Correio da Manhã, em 1950. No ano seguinte publica a Pequena Bibliografia Crítica da Literatura Brasileira, reunindo em ordem cronológica mais de 170 autores nacionais. A partir daí sua produção literária é intensa e variada, publicando regularmente ensaios, artigos político, crítica literária, etc. Seu trabalho na imprensa e a obra que deixou publicada constitui-se numa expressiva contribuição às nossas letras, dando um novo rumo à história da literatura brasileira. Principais livros: Retratos e leituras (1953); Presenças (1958); Uma nova história da música (1958); Livros na mesa (1960); O Brasil no espelho do mundo (1965); As revoltas modernistas na literatura (1968); 25 anos de literatura (1968). Em 2005 foram publicados postumamente seus Ensaios reunidos, pela editora Top Books, em dois volumes. Faleceu em 03/02/1978.

Prossiga na entrevista:

Por que escreve?

Onde escreve?

Música

Política

Cinema

Jornalismo

Crítica Literária