Volta para a capa
ENTREVISTA SIMULTÂNEA
Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa

Nasceu em Cordisburgo, MG, em 27/06/1908. Médico, diplomata e Escritor dos mais surpreendentes da literatura brasileira. Começou a estudar francês sozinho aos 7 anos; aos 9 anos começa a estudar holandês sob supervisão e continua a aprofundar o estudo de francês; no colégio, de padres alemães, inicia o estudo do idioma alemão, que aprendeu em pouco tempo. Vê-se, portanto, uma vocação inata para as línguas. Falava 8 línguas; lia em sueco, holandês, latim e grego; estudia alguns dialetos alemães; estudou a gramática do húngaro, árabe, sânscrito, lituânio, polonês, tupi, hebraico, japonês, theco, finlandês e dinamarquês, além de ter bisbilhotado outras. "acho que estudar o espírito e o mecanismo de outra línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional". Aos 16 anos entra na Faculdade de Medicina, mas exerce a profissão de médico por pouco tempo. Ainda estudante, participa de um concurso literário da revista "O Cruzeiro", em 1929. Escreve quatro contos: Caçador de camurças, Chronos kai anagke (tempo e destino), O mistério de Highmore Hall e Makiné. Todos foram premiados e publicados em 1929-30 e foram escritos com a intenção de ganhar uma bolada de cem contos de réis. Em 1930 obtém o diploma de medicina e casa-se com uma menina de 16 anos. Vai ser médico em Itaúna, onde vive uns dois anos e nasce sua primeira filh. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, alista-se voluntariamente na Força Pública e posteriormente efetiva-se como oficial-médico, em Barbacena. A vida como militar era muito tranquila permitindo o estudo de idiomas. Sua cultura e erudição e o conhecimento de outros idiomas fêz com que um amigo lhe indicasse o concurso para o Itamarati. Passou em 2º lugar e passou, também, a abandonar a medicina ao mesmo tempo em que abraça cada vez mais a literatura. Em 1936 publica uma coletânea de poemas: Magma, com a qual recebe o prêmio de poesia da Academia Brasileira de Letras. No ano seguinte concorre ao prêmio Humberto de Campos com um volume de contos, cujo título é este mesmo: Contos. Tais contos se transformaria, em 1946, após um revisão do autor, em Sagarana, obra que o consagra como grande escritor, além de lhe render vários prêmios. O livro conta com uma linguagem rica e pitoresca do povo, registra regionalismos, muitos deles jamais escritos na literatura brasileira. Em 1938 viaja para a Alemanha (Cônsul adjunto em Hamburgo), casa-se pela segunda vez, e tem atuação destacada, junto com sua mulher Aracy, na facilitação da fuga de judeus perseguidos pelo Nazismo durante. Mais tarde, o governo de Israel reconheceu o heroismo do casal, e agradeceu dando-lhe seus nomes a um bosque perto de Jerusalém. Em 1942 o Brasil rompe com a Alemanha e o autor fica retido por 4 meses junto com o pintor pernambucano Cicero Dias. Volta ao Brasil, onde passa pouco meses e em seguida é nomeado Embaixador em Bogotá, onde permanece até junho de 1944. De volta ao Rio de Janeiro, passa a se dedicar mais a literatura, publicando Sagarana em 1946. No mesmo ano é nomeado Chefe de Gabinete do Ministro João Neves da Fontoura, cujas funções iinclui a representação do Brasil na Conferência de Paz, em Paris, e na IX Conferência Inter-Americana, em Bogotá, em 1948, como Secretário-Geral da Delegação Brasileira. A partir daí atua em diversos trabalhos na Embaixada, viaja pelo Mato Grosso e sertão de Minas Gerais, publica Corpo de baile (1956), reedita Sagarana, e publica o livro pelo qual ficou mais conhecido: Grande sertão: veredas (1956). Com este lançamento, ele conquista mais três prêmios: "Machado de Assis", do INL; "Carmen Dolores Barbosa", em São Paulo e "Paula Brito", no Rio de Janeiro. A obra causa grande impacto no cenário literário brasileiro. O livro é traduzido para diversas línguas e seu sucesso deve-se, sobretudo, às inovações formais. Crítica e público dividem-se entre louvores apaixonados e ataques ferozes. Em 1961 recebe o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra, e passa a ter reconhecimento no exterior. Em janeiro de 1962, passa a chefiar o Serviço de Demarcação de Fronteiras, cargo que exerceria com especial empenho, tendo tomado parte ativa em momentosos casos como os do Pico da Neblina (1965) e das Sete Quedas (1966). Em 1969, é homenageado com seu nome dado ao pico culminante (2.150 m) da Cordilheira Curupira, situado na fronteira Brasil/Venezuela. Em 1962, é lançado Primeiras Estórias, livro que reúne 21 contos pequenos. Nos textos, as pesquisas formais características do autor, uma extrema delicadeza e o que a crítica considera "atordoante poesia". Em maio de 1963, candidata-se pela segunda vez à Academia Brasileira de Letras (a primeira fora em 1957) na vaga deixada por João Neves da Fontoura. A eleição dá-se a 8 de agosto e desta vez é eleito por unanimidade. Mas não é marcada a data da posse, adiada sine die, somente acontecendo quatro anos depois. Nos anos seguintes dedica-se a participar de eventos com escritores latino-americanos; foi jurado do mais importante prêmio literário do País, na época, o Concurso Nacional de Romance Walmap; e publicou seu último livro Tutaméia (1967), uma nova coletânea de contos e nova efervescência no meio literário, novo êxito de público. Tutaméia, obra aparentemente hermética, divide a crítica. Uns vêem o livro como "a bomba atômica da literatura brasileira"; outros consideram que em suas páginas encontra-se a "chave estilística da obra de Guimarães Rosa, um resumo didático de sua criação". Por esta época suas obras são continuamente editadas e reeditadas em todo o mundo, e seu nome foi indicado para o Prêmio Nobel de Literatura, numa iniciativa de seus editores alemães, franceses e italianos. Mais duas obras póstumas foram incluídas em sua bibliografia: Estas histórias (1967) e uma coletânea de textos diversos, apropriadamente intitulada Ave, palavra (1970). O adiamento da posse na Academia Brasileira de Letras por quatro anos é fruto de um pressentimento seu de que morreria ao tomar posse, o que realmente aconteceu. Tomou posse em 16 de novembro de 1967 e faleceu três dias depois, vitimado por um enfarte fulminante. No discurso de posse e com com a voz embragada afirmou: "...a gente morre é para provar que viveu."

 

Prossiga na entrevista:

Por que escreve?

Como escreve?

Onde escreve?

O que é inspiração?

Música

Politica

Religião

Psicanálise

Filosofia

Crítica literária

Relações literárias

Academia