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Música
Julio Cortázar

"Para mim, a escrita é uma operação musical. Já disse isso várias vezes: é a noção do ritmo, da eufonia. Não da eufonia no sentido das palavras bonitas, claro que não, mas da eufonia que sai de um desenho sintático (agora estamos falando do idioma) e que, ao ter eliminado tudo que era desnecessário, supérfluo, mostra a pura melodia".

Fonte: PREGO, Omar. O fascínio das palavras: entrevistas com Julio Cortazar. Rio de Janeiro: José Olympio, 1991.

"Eu escrevo em 'swing'. Tudo que vivo, sinto e formulo vem de um ritimo que busca seu equivalente rítmico. Se você me perguntasse o que é esse ritmo, qual o seu sentido, não sabria responder. Ou teria que usar imagens demasiado falsas. Falar de pulsações cósmicas ou algo no estilo. Somente sei que, quando escrevo, algo vibra continuamente em mim. Eu sou Max Roach, eu sou Louis Armstrong, eu sou o músico índio que escreve sua 'raga' em um tempo fora dos calendários aprovados pela ciência aristotélica. Se me perguntassem: 'Em síntese a que se parece sua obra?', responderia sem falsa modéstia que se parece aos solos de Satchmo em 'Potato head blues' ou ao encontro do canto de Bessie Smith em 'Baby doll'. Me parece necessário lembrar que aos críticos da literatura estas aproximações 'elementares' parecem muito ruins. Mas que fazer, irmão".

Fonte: Veja, nº 231, 07/02/1973 - Cley Gama de Carvalho

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